Imposto de importação e Nota Fiscal na Amazon Brasil em 2026
Ekaterina Rubtcova
Vendedora na Amazon desde 2018 · Fundadora da marca de panelas Daniks · Fundadora da Daniks.AI
Minhas panelas Daniks são Top-1 na Alemanha e hoje Top-20 nos EUA. Para cuidar do PPC delas eu criei a Daniks.AI — hoje usada por centenas de marcas na Amazon. Neste blog eu mostro como realmente trabalho. Sem cursos, sem upsell.
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Inscrever-se agoraVocê acha o produto perfeito no Alibaba. O fornecedor te passa US$ 2,80 por unidade. Você faz a conta rápida, a margem parece ótima, e fecha o pedido. Aí a carga chega no Brasil e a fatura do despachante vem com imposto de importação, ICMS, frete internacional, taxa do agente de carga e armazenagem. De repente aquele produto de US$ 2,80 te custou o equivalente a R$ 35 a unidade no estoque — e a margem que parecia ótima virou prejuízo.
Esse é o erro número um de quem vem dos EUA tentar vender na Amazon.com.br: calcular margem sem o custo de importação. No Brasil, o imposto não é detalhe. Em muitos casos ele é maior que o próprio custo do produto.
Eu vendo na Amazon desde 2018 e construí a marca de panelas Daniks do zero. Não sou contadora — e este texto não substitui um contador. As regras tributárias do Brasil mudam com frequência, e quem confirma alíquota, classificação fiscal e enquadramento é a Receita Federal e o seu contador. O que eu trago aqui é como o mecanismo funciona, para você não levar susto.
A diferença entre “comprar do exterior” e “importar para revender”
Tem gente que confunde duas coisas muito diferentes.
Compra pessoal pelo Correios: quando você pede uma encomenda pequena para uso próprio, ela entra pelo Regime de Tributação Simplificada. É o famoso imposto sobre pequenas remessas que aparece quando você compra na Shein ou no AliExpress. Isso não serve para revenda na Amazon.
Importação para revenda: aqui você está trazendo carga comercial para vender. Isso exige uma importação formal, com Declaração de Importação (DI), recolhimento de tributos federais e estaduais, e emissão de Nota Fiscal. É outro mundo — e é esse o caminho de quem vai vender de verdade.
Misturar os dois é receita para ter mercadoria retida na alfândega e problema fiscal depois. Se você vai operar como negócio, opere como importador.
Os impostos que pesam na sua margem
Quando a carga chega, alguns tributos incidem em cascata — ou seja, um imposto entra na base de cálculo do outro. Por isso a conta final assusta. Vou pelos principais.
Imposto de Importação (II)
É o tributo federal sobre o valor da mercadoria mais o frete internacional e o seguro. A alíquota depende da classificação fiscal do produto (o código NCM). Categorias diferentes têm alíquotas bem diferentes — e por isso a NCM correta importa tanto. Não chute o código: peça ao seu despachante ou contador a classificação certa, porque ela define quanto imposto você paga e evita autuação depois.
IPI
O Imposto sobre Produtos Industrializados também incide na importação de muitos produtos manufaturados. A alíquota varia por NCM, e alguns produtos são isentos. De novo: depende da classificação.
PIS e COFINS importação
São contribuições federais que entram na conta da importação também. Não são gigantes isoladamente, mas somam.
ICMS
Esse é estadual, não federal — e é o que muita gente esquece. O ICMS incide na importação e a alíquota varia conforme o estado onde a mercadoria é desembaraçada. Pior: o ICMS é calculado “por dentro”, o que infla a base e faz o número final ser maior do que a alíquota nominal sugere. É comum o ICMS ser uma das maiores fatias do imposto total.
A regra de ouro: não existe uma alíquota única de importação no Brasil. O total depende da NCM do produto e do estado. Por isso eu não vou cravar percentuais aqui — quem calcula isso com precisão é o contador, com o NCM correto na mão.
A DI — Declaração de Importação
A DI é o documento que oficializa a entrada da mercadoria no país. É por meio dela que você declara o que está importando, a classificação fiscal, o valor, e recolhe os tributos. Sem DI registrada e desembaraço aduaneiro concluído, sua carga não sai da alfândega.
Na prática, quem registra a DI é o seu despachante aduaneiro. Você não faz isso sozinho no começo — e nem deveria tentar. Um bom despachante:
- Classifica o produto na NCM correta
- Calcula os tributos antes da carga chegar (para você não levar susto)
- Registra a DI e acompanha o desembaraço
- Te entrega a mercadoria nacionalizada, pronta para emitir Nota Fiscal
O custo do despachante é mais uma linha do seu custo de importação. Some no cálculo. Com a mercadoria nacionalizada, o próximo trecho é enviar o estoque para os centros da Amazon.
Por que a Nota Fiscal não é opcional
Aqui está a parte que separa o vendedor profissional do amador: para vender na Amazon.com.br como negócio, você precisa emitir Nota Fiscal.
A Nota Fiscal é o documento que comprova a operação de venda e o recolhimento dos tributos. A Amazon Brasil exige NF para os pedidos, e o cliente tem direito a ela. Sem CNPJ você não emite Nota Fiscal — e por isso a primeira coisa de qualquer importador sério é abrir empresa. Eu trato isso em detalhe no guia sobre CNPJ, MEI e Simples Nacional.
Tem ainda a questão da entrada e da saída. Quando você importa, gera uma nota de entrada (a nacionalização da mercadoria). Quando você vende, emite a nota de saída para o cliente. O sistema fiscal acompanha esse fluxo. Por isso a contabilidade de importador é mais densa do que a de quem só revende produto nacional — e por isso vale ter um contador que entenda de e-commerce e importação.
Como o imposto realmente bate na sua margem
Deixa eu mostrar o raciocínio com números redondos só para ilustrar a lógica — não são alíquotas oficiais, são exemplo didático.
Imagine um produto que custa US$ 2,80 na fábrica. Some o frete internacional rateado por unidade, o seguro, o II, o IPI, o PIS/COFINS, o ICMS e a taxa do despachante. Não é incomum o custo nacionalizado por unidade ficar duas a três vezes o valor de fábrica, dependendo da categoria e do estado.
Agora some o que vem depois: a comissão da Amazon (a referral fee, normalmente um percentual sobre o preço de venda), a taxa de logística do FBA, o PPC e as devoluções. O custo do fornecedor, que parecia o número principal, vira uma fatia pequena do total.
A lição é a mesma que eu repito sempre: margem é uma pilha, não um número. No Brasil essa pilha tem mais andares do que nos EUA, porque a camada de importação entra antes de tudo.
O que você precisa ter pronto antes de listar
Se você vai importar para vender na Amazon Brasil, organize isso na ordem certa:
- CNPJ ativo — sem ele você não importa formalmente nem emite Nota Fiscal. Veja o guia de abertura de empresa.
- Habilitação no Radar/Siscomex — é o registro que te autoriza a importar. Seu despachante orienta a modalidade conforme o seu volume.
- Despachante aduaneiro — escolha um antes de fechar o primeiro pedido grande, não depois.
- NCM correta do produto — definida com o despachante/contador, porque ela determina o imposto.
- Planilha de custo nacionalizado por unidade — com todas as linhas: fábrica, frete, seguro, II, IPI, PIS/COFINS, ICMS, despachante.
- Contador que entenda importação e e-commerce — não o contador genérico do bairro.
O passo desta semana
Antes de fechar qualquer pedido de importação, monte a planilha de custo nacionalizado por unidade do produto que você está avaliando. Coloque uma estimativa para cada linha de imposto e peça ao seu contador ou despachante para validar a NCM e as alíquotas. Só depois compare com o preço de venda na Amazon.com.br e veja se ainda sobra margem. Se não fechar conta com premissas conservadoras, o preço de fábrica não importa.
Eu faço walkthroughs ao vivo de cálculo de margem e análise de produto no meu canal no YouTube (vídeos em inglês, com legendas). E se quiser receber o que eu não publico em lugar nenhum, entre nas minhas cartas raras.
Lembre: as regras tributárias mudam, e cada produto e cada estado têm sua particularidade. Use este texto para entender o mecanismo — e confirme os números com um contador antes de mover dinheiro.
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