Mercado Livre vs Amazon Brasil em 2026: onde vender?
Ekaterina Rubtcova
Vendedora na Amazon desde 2018 · Fundadora da marca de panelas Daniks · Fundadora da Daniks.AI
Minhas panelas Daniks são Top-1 na Alemanha e hoje Top-20 nos EUA. Para cuidar do PPC delas eu criei a Daniks.AI — hoje usada por centenas de marcas na Amazon. Neste blog eu mostro como realmente trabalho. Sem cursos, sem upsell.
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Inscrever-se agoraToda semana alguém me pergunta a mesma coisa: “Vou começar a vender no Brasil — Mercado Livre ou Amazon?” A resposta honesta é que não existe um vencedor universal. Existe o que faz sentido para o seu produto, o seu caixa e o tipo de operação que você aguenta tocar. Aqui eu comparo os dois sem torcida, do jeito que eu explicaria para uma amiga vendedora.
Eu vendo na Amazon desde 2018 e construí a marca de panelas Daniks do zero (hoje Top-1 na Alemanha e Top-20 nos EUA). Não sou guru de curso — sou vendedora. Onde eu não tiver número exato do mercado brasileiro, eu falo em faixa ou de forma qualitativa, em vez de inventar dado.
A diferença de público
O Mercado Livre é, com folga, o marketplace mais antigo e mais conhecido do Brasil. Ele tem anos de vantagem em base de clientes, reconhecimento de marca e hábito de compra. Quando o brasileiro pensa em “comprar online em marketplace”, muita gente ainda pensa nele primeiro.
A Amazon chegou ao Brasil depois e ainda está construindo participação. A base de clientes é menor que a do Mercado Livre, mas cresce — puxada principalmente pelo Amazon Prime, que fideliza quem valoriza entrega rápida e frete incluso.
Na prática isso significa duas coisas. No Mercado Livre você acessa mais tráfego total hoje. Na Amazon você entra num mercado em formação, com menos vendedores brigando em muitos nichos — o que pode dar ranqueamento mais rápido para quem chega com produto bom.
As taxas: comissão e tarifas
Os dois cobram comissão sobre cada venda, e em ambos a comissão varia por categoria. Não dá para reduzir a “Mercado Livre é mais barato” ou “Amazon é mais cara” — depende da categoria, do preço do produto e de qual logística você usa.
O que importa entender é a estrutura. Nos dois marketplaces o seu custo real é uma soma: comissão + tarifa de logística + custo de armazenagem + (no caso de produto importado) frete e impostos de importação. A comissão que aparece na tela é só uma parte da conta.
Aqui vale o mesmo raciocínio que explico no erro dos R$ 0,50: o preço do fornecedor costuma ser só 25% a 35% do custo total. Antes de escolher marketplace pela comissão, modele a conta de unidade completa nos dois, com a sua categoria e o seu produto reais. Use as calculadoras de tarifa que cada plataforma oferece no painel do vendedor.
A logística: FBA vs Mercado Envios Full
Esse é o ponto onde os dois mais se parecem — e também onde as diferenças decidem o jogo.
Na Amazon você usa o FBA (Logística da Amazon): manda seu estoque para o centro da Amazon e eles cuidam de armazenagem, separação, envio e atendimento. Seu produto ganha o selo Prime, com entrega rápida. Há ainda o DBA e o envio próprio — a comparação completa está em FBA, DBA ou FBM: qual escolher.
No Mercado Livre o equivalente é o Mercado Envios Full: você envia o estoque para o galpão deles e a operação de envio fica por conta da plataforma, com entrega rápida e selo Full. O Mercado Livre também oferece modelos intermediários, como o Flex (você mesmo despacha no mesmo dia) e a coleta, que dão mais flexibilidade para quem ainda tem estoque na própria casa.
A lógica é a mesma nos dois: estoque no marketplace = entrega rápida = mais conversão e melhor posição na busca. A escolha costuma seguir onde está o seu cliente. Se a maior parte das suas vendas vem de um marketplace, faz sentido colocar o estoque no fulfillment dele e deixar o outro canal com um modelo mais leve.
Um aviso honesto: nos dois sistemas a armazenagem custa. Estoque parado vira tarifa que come a margem. Não superencha o galpão para “garantir” — isso vale para Full e para FBA.
A concorrência
No Mercado Livre, por ser o mercado mais maduro, muitas categorias estão lotadas. Você briga com vendedores que estão lá há anos, com reputação consolidada e preço afiado. A guerra de preço é real em vários nichos.
Na Amazon Brasil, por ser mais nova, vários nichos ainda têm menos vendedores. Isso pode significar PPC mais barato e ranqueamento mais rápido para um produto novo — a mesma dinâmica que vejo em mercados em formação. Mas “menos concorrência” também pode significar “menos demanda” em alguns nichos. Verifique categoria por categoria, não no geral.
A reputação funciona diferente. No Mercado Livre, o sistema de reputação do vendedor (a “medalha”) pesa muito e é construído ao longo do tempo. Na Amazon, o que pesa mais é a avaliação do produto e a saúde da conta. Em ambos, começar do zero exige paciência nas primeiras vendas.
Quando escolher cada um
Escolha o Mercado Livre primeiro se: o seu produto é de uma categoria de giro alto e preço sensível, você quer acessar o maior tráfego do Brasil hoje, e está disposto a competir em preço e a construir reputação de vendedor com paciência. Para muitos produtos do dia a dia, é onde a demanda já está.
Escolha a Amazon primeiro se: o seu produto é de marca própria com uma proposta diferenciada, você quer um anúncio bem trabalhado (conteúdo A+, imagens fortes) ranqueando num nicho menos saturado, e o seu público valoriza Prime e entrega rápida. É onde a otimização de anúncio te dá mais vantagem competitiva.
Venda nos dois se: você já validou o produto em um canal e tem caixa e operação para tocar dois fulfillments. Estar nos dois aumenta o alcance total e dilui o risco de depender de uma plataforma só. Mas não comece nos dois ao mesmo tempo — dominar um canal antes evita espalhar o orçamento e a sua atenção.
A minha recomendação
Se você está começando do zero no Brasil, não tente abraçar os dois de uma vez. Escolha o canal onde o seu produto tem mais chance — pelo público, pela concorrência da categoria e pelo seu caixa — e domine ele primeiro. Aprenda pesquisa de produto, anúncio, logística e atendimento em uma plataforma antes de duplicar a operação.
Depois que o primeiro canal estiver dando lucro consistente e a operação rodando sem te consumir, o segundo marketplace deixa de ser dispersão e vira alavanca de crescimento. Foi assim que cresci fora do Brasil, e a lógica de dominar um canal antes de expandir vale aqui também.
Para o passo a passo de lançar o primeiro produto, veja o guia de como começar na Amazon FBA no Brasil em 2026. E se quiser acompanhar as análises em vídeo, se inscreva no @AmazonFBAGirl no YouTube.
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